Ubirajara Guimarães: um empreendedor nato que começou a trabalhar, aos 17 anos, como oficce boy

O lançamento do residencial Horizonte Flamboyant, em Goiânia, projeto da empresa do cantor e compositor Roberto Carlos, traz nos bastidores uma relação de amizade de longa data que alimenta o empreendedorismo.

O projeto é da Emoções Incorporadora, empresa criada pelo “Rei” com os sócios Ubirajara Guimarães e os irmãos Jaime e Dody Sirena, o último deles é também o empresário artístico de Roberto Carlos. O cantor chega na próxima quinta-feira (17) a Goiânia para o lançamento do empreendimento de luxo, que será erguido em área de frente ao Parque Flamboyant, no Setor Jardim Goiás.

A Emoções Incorporadora tem divisão societária de 30% para Roberto Carlos e outro tanto igual para Ubirajara Guimarães e Dody, ficando o irmão Jaime Sirena com os 10% restantes do negócio. O prédio em Goiânia, que consumirá R$ 140 milhões em investimentos, faz parte do projeto de expansão da incorporadora pelo país. Até então, tinha negócios apenas em São Paulo e Sergipe.

Dody Sirena, Roberto Carlos, Ubirajara Guimarães e Jaime Sirena são sócios na Emoções Incorporadora

Sociedade

Mas há um elo principal entre os sócios de Roberto Carlos: Ubirajara Guimarães, conhecido como Bira. Amigo de longa data do “Rei”, o empresário estimulou a ampliação dos negócios de Roberto Carlos. Antes disso, Bira havia incitado o início do empreendedorismo de Roberto. A primeira das parcerias de ambos foi numa rede de concessionárias de automóveis no interior de São Paulo (nas cidades de Suzano, Mogi das Cruzes e Jacareí).

Bira diz que o que aproximou os dois foi a paixão por carros. É conhecida a paixão de Roberto pelos automóveis, na música e na vida. “Quando nos conhecemos, eu havia produzido um carro modificado: uma limusine sobre a base de um Landau”, relembra Bira, empreendedor nato que começou como office boy no Grupo Souza Ramos, à época maior revendedor Ford do país, e chegou a destacado empresário do setor, tendo sido representante da Audi no Brasil por anos.

Ayrton Senna e Ubirajara Guimarães foram sócios na instalação da representação da Audi no Brasil

Motores e Senna

A parceria entre Bira e Roberto no ramo de veículos começou em 1985 e plantou a semente de novos negócios com a criação da Emoções Incorporadora, em 2011. Nesse ínterim, Bira seguiu sua história de empreendedor na esteira da paixão por motores, o que o aproximou de outra personalidade brasileira: o piloto Ayrton Senna (1960 – 1994).

Natural de Rio Grande da Serra, pequeno município nos arredores da capital paulista, Ubirajara Guimarães chegou a São Paulo com 17 anos. Um amigo do pai o levou à concessionária Souza Ramos, empresa onde ficou por mais de 30 anos e foi office boy, vendedor e sócio. Negociante talentoso, Bira uniu o útil ao agradável, fazendo da paixão por carros seu principal negócio.

Já no final de sua história na Souza Ramos, Bira montou a SR, empresa que adaptava caminhonetes da Ford e transformava-as em cabines duplas. O ambiente automotivo o aproximou de muita gente, entre famosos (jogadores de futebol e artistas) e empresários. Foi um desses empresários, Armando Botelho, então agente de Ayrton Senna, que o apresentou ao piloto brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1.

Começava aí mais uma etapa do arrojo empresarial de Bira. Senna queria trazer uma marca famosa de carros para o Brasil e vendo a expertise de Bira no meio, o chamou para tocar juntos o negócio, numa parceria que incluía também o irmão de Senna, Leonardo. Era final de 1993, nascia a Senna Import já com um contrato de representação da alemã Audi no Brasil.

Com os planos traçados, o otimismo tomava conta do trio, mas a tragédia resolveu atravessar o destino: meses antes do lançamento do primeiro Audi no Brasil, Senna sofre o acidente que o matou nas pistas do GP de San Marino, em Ímola, na Itália. “Foi terrível, ficamos todos arrasados e muitos pensaram em desistir do negócio. Muitas concessionárias nos procuraram comunicando que não entrariam na revenda da Audi, uma marca desconhecida por aqui”, relembra Bira.

Mas foi ele quem convenceu o irmão de Ayrton (com apoio do pai do piloto, Milton Silva) a continuar o negócio. E assim foi feito. No fim daquele fatídico 1994, Leonardo Senna e Ubirajara Guimarães estreavam os compactos modernos da Audi no Brasil, competindo com gigantes como BMW e Mercedes. Com Leonardo no marketing e Bira no comando das vendas, o Brasil se tornou o único país onde a Audi liderou em vendas no segmento de carros de luxo.

Case de sucesso

“Nesse negócio, o importante é você fazer todos ganharem, envolver todos os concessionários em motivação, dando bons retornos. Com um bom produto nas mãos, você já tem meio caminho andado”, relembrou Bira ao EMPREENDER EM GOIÁS durante sua passagem em Goiânia para o pré-lançamento do prédio do Jardim Goiás. A Senna Import durou 10 anos, quando Bira e Leonardo Senna resolveram vender suas participações na representação da marca alemã. Não sem antes torná-la um “case” de sucesso mundial.

A previsão inicial deles era vender 50 carros por mês, mas fecharam os seis primeiros meses do negócio com 1,4 mil unidades comercializadas. Ano a ano o recorde de vendas foi superado até que, em 2000, os executivos alemães resolveram investir na construção de uma fábrica no país. Instalada em São José dos Pinhais, no Paraná, a unidade produz apenas modelos do compacto A3, decisão que Bira achou um erro estratégico da marca e os levou a abrir mão da parceria.

Mas a história empreendedora do sócio de Roberto Carlos não pára por aí. Depois da Audi, Bira e Leonardo Senna uniram forças em outro empreendimento, digamos, motorizado, só que agora no ramo de barcos de luxo. Há cinco anos, a dupla abriu a UK Yachts do Brasil e detém os direitos exclusivos de importação de barcos da marca inglesa Fairline.

Com mais de 50 anos de história, a Fairline é um dos fabricantes de barcos e lanchas de luxo mais respeitadas na Europa. No Brasil, a dupla Bira e Leonardo Senna estão comercializando cinco modelos cujos preços variam de R$ 1,8 milhão a R$ 12 milhões. A empresa tem duas bases no país, nos litorais paulista (Guarujá) e fluminense (Angra dos Reis). “Temos aproveitado nosso conhecimento do mercado de luxo no Brasil nessa empreitada e tem sido bom”, diz Bira com uma simplicidade incomum entre milionários.


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