Paulo Vargas, diretor regional do Senai

Em mais de seis décadas de atuação em Goiás, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-GO) tem se preocupado em formar o profissional de acordo com a demanda da indústria. Dentro da perspectiva de ampliar a capacitação e atualização profissional, a instituição oferece também educação a distância (EaD), modalidade de ensino que facilita a vida do trabalhador que busca melhor qualificação, mas não tem condições de frequentar a sala de aula, seja por distância do local de trabalho e moradia, ou por questão de jornada de trabalho.

De acordo com o diretor regional do Senai, Paulo Vargas, também superintendente do Serviço Social da Indústria (Sesi), a modalidade EaD vem sendo utilizada há 15 anos, por ter sido entendida como uma alternativa para ampliar a possibilidade de qualificação e aprendizagem na formação de mão de obra para o setor industrial. No sistema de EaD, são oferecidas vagas em seis modalidades de aprendizagem em 12 áreas, totalizando 20 cursos de habilitação técnica.

“O ensino formal limita o quantitativo de atendimento e a oferta de oportunidade de formação”, afirma, ao lembrar que o Senai também exerce um importante papel no ensino formal, com a oferta de vagas em cursos presenciais em nível médio, graduação tecnológica e pós-graduação. A preocupação é sempre a de proporcionar programas de ensino formatados para torná-los mais objetivos e baratos, permitindo ao aluno adquirir postura profissional de alto rendimento.

O Senai Goiás registrou, ano passado, 142 mil matrículas em cursos de curta, média e longa duração, nas modalidades de EaD e presencial – de 30 horas/aula a 3 mil horas/aula. Neste ano, os cursos de iniciação profissional já somam cerca de 20 mil matrículas. A educação a distância responde por mais de 50% dos alunos, por oferecer maior possibilidade de acompanhamento das aulas. “O aluno pode assistir às aulas em qualquer lugar que tenha acesso à internet. Ele faz 80% do curso de forma remota e 20% presencial”, explica.

No ano passado, foram 11 mil matrículas em cursos de habilitação técnica, de nível médio, e 1,2 mil em graduação tecnológica, de nível superior – em Automação Industrial, Mecatrônica Industrial, Logística, Redes de Computadores e em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, nas faculdades de Goiânia, e Manutenção Industrial e Processos Químicos, em Anápolis. Também são oferecidas vagas em diversas pós-graduações, como a de Estrutura Metálica, em convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Sintonia

O conteúdo dos cursos do Senai é elaborado por uma equipe técnica, que tem a participação de representantes do setor industrial. Cada curso e seu conteúdo programático estão em sintonia com o mercado de trabalho. A grade de ensino é construída para ir ao encontro das necessidades do setor industrial. É elaborada de forma participativa, por grupos compostos por proprietários de indústrias, diretores, encarregados e equipe técnica do Senai. “Sempre digo que não há distância entre o Senai e a indústria. Os cursos que ofertamos, de curta, média e longa duração, são adequados às necessidades do mercado de trabalho”, afirma.

O quadro de professores e instrutores, composto por 450 pessoas, tem formação técnica específica e passa por constantes processos de atualização e qualificação. De acordo com Paulo Vargas, a formação profissional oferecida pelo Senai-GO tem sido exitosa, uma vez que consegue índice de aproximadamente 80% de colocação dos profissionais no mercado de trabalho. “Ao concluir os nossos cursos, o aluno tornar-se um profissional mais completo, com formação formal e profissional adequadas às necessidades do mercado”, disse. Ele cita como exemplo os cursos de graduação tecnológica, que tem conteúdo mais focado em áreas não atendidas por outras instituições educacionais.

O grande desafio enfrentado pelo Senai-GO é atender a diversificação da indústria goiana e romper as distâncias entre os polos de desenvolvimento econômico do Estado. Em Goiás, os principais segmentos industriais são automotivo, confecção, alimentos e bebidas, agronegócio, farmacêutico e mineração e, de acordo com Paulo Vargas, em cada região são ministrados cursos específicos e voltados para as suas características e peculiaridades econômicas.

Nova unidade

O Senai-GO deverá inaugurar, até o fim do ano, em parceria com o Sesi, uma unidade educacional no Jardim Colorado, na Região Noroeste, em área cedida pela prefeitura de Goiânia, com expectativa de atender 360 alunos no primeiro ano e capacidade para 800 alunos matriculados, em três turnos. Com investimento de R$ 26 milhões, a unidade oferecerá ensino médio na modalidade Educação Básica Articulada com Educação Profissional (Ebep), que possibilitará colocar no mercado profissional de ensino médio melhor preparado e qualificado. O novo prédio, construído em área de 16 mil metros quadrados, utiliza os conceitos de sustentabilidade, proporcionando uso racional de recursos naturais e possibilidade de geração de energia elétrica.

A unidade do Jardim Colorado vai atender 26 bairros de alta densidade populacional de Goiânia – a estimativa é de que a Região Noroeste tenha 350 mil habitantes – e possibilitará a atração de alunos de outras cidades, como as que estão localizadas no eixo da Rodovia GO-070. Um dos fatores que levaram à escolha da região para implantar a escola foi a falta de instituições de formação profissional na área de abrangência.

A primeira unidade do Senai, em Goiás, foi construída em Anápolis – atualmente é a Faculdade de Tecnologia Senai Roberto Mange –, em 1952 e ministrava cursos de ajustagem, torneiro mecânico, ferraria, eletricidade e carpintaria de esquadria. Atualmente, conta com uma rede de unidades instaladas em 21 cidades nas principais regiões econômicas de Goiás. Atua também com dez unidades móveis e com o desenvolvimento de atividades em instalações físicas de clientes e parceiros. Ministra mais de 400 cursos, para fazer frente à necessidade de mão de obra qualificada surgida com o avanço do segmento industrial.


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