Centro de pesquisa de ponta na área farmacêutica, o goiano Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF) se consolidou, em apenas 16 anos, como um dos principais pesquisadores e desenvolvedores de medicamentos do país. A empresa, que nasceu de uma parceria público-privada, hoje está inteiramente voltada ao mercado, tanto na melhoria de medicamentos, como na concepção de novas drogas.

A empresa já desenvolveu melhorias para mais de 100 medicamentos (chamado de pesquisa incremental) e desenvolveu dois novos medicamentos (pesquisa radical) nas áreas de endocrinologia e doenças do sono, que devem chegar ao mercado nos próximos dois anos. Outra especialidade do ICF são os testes de equivalência farmacêutica, bioequivalência e biodisponibilidade, além da pesquisa clínica, análises de controle de qualidade e validação de métodos com medicamentos genéricos e similares. São mais de mil testes de bioequivalência já realizados.

“A indústria brasileira de medicamentos ainda está muito embasada na cópia de medicamentos, quando finda o licenciamento de patentes. O ICF nasceu com o espírito de mudar isso, trazendo no seu DNA a pesquisa e a inovação”, diz Leonardo de Souza Teixeira, diretor da empresa, durante entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS na sede do ICF, no Setor Marista, em Goiânia.

Com um efetivo de 160 profissionais diretos, a maioria mestres e doutores da área farmacêutica e engenharia da computação, o ICF trabalha com equipamentos de última geração e ambiente controlado. A segunda unidade da empresa, uma clínica de internação, em Aparecida de Goiânia, recebe voluntários para testes de medicamentos. De um investimento inicial de R$ 2,4 milhões, o ICF hoje tem R$ 30 milhões aplicados e mais R$ 5 milhões serão injetados neste ano em maquinários e treinamento de pessoal.

“Nosso banco de dados, por exemplo, fica na Alemanha por uma questão de segurança e expertise deles nessa área”, informa Leonardo de Souza, que já passou uma temporada de estudos na Universidade de Dortmund, ao final de sua graduação em farmácia na UFOP (em Ouro Preto, MG). O ICF faz pesquisa para 16 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Índia e vários europeus.

Boa parte desses trabalhos é na área incremental, de melhorias de medicação já existente. “Mas nossa meta é exportar medicamentos que falem português”, brinca Leonardo sobre a visão de futuro da empresa. “Em 10 anos, queremos ter ao menos cinco medicamentos inéditos no mercado”, diz. No Brasil, dentre os clientes do ICF estão as indústrias Eurofarma, Aché, Hypera Pharma e Cristália.

Farmacogenéticos

Outra inovação que o ICF apresentará em breve ao mercado brasileiro são os testes para medicamentos farmacogenéticos, pelos quais é possível saber quais os medicamentos mais indicados aos pacientes de acordo sua própria constituição genética. Segundo Leonardo de Souza, o teste é popular no exterior, mas no Brasil é realizado a um custo muito alto.

O objetivo do ICF é reduzir o preço do teste, popularizando-o no país. “Um teste desses hoje não custa menos de R$ 3 mil por aqui. Nossa intenção é baixar em pelo menos 50% desse valor para o paciente”, diz Leonardo, adiantando que o teste do ICF chegará ao mercado em 2019.

Os testes com medicamentos passam por quatro fases até que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) libere a comercialização. Os testes começam com a pesquisa molecular e os primeiros testes pré-clínicos, o que inclui aplicação do medicamento em animais. Na segunda fase, inicia-se os testes em seres humanos doentes, ampliando-se esse número mais pessoas enfermas na fase 3 (cerca de 2 ou 3 mil pacientes, dependendo da droga) e a fase 4 é a da comercialização, concedida sob monitoramento até sua efetiva liberação.

De acordo com Leonardo de Souza, esses testes com medicamentos levam em média de 1 a 5 anos, mas podem chegar a 12 anos, conforme a complexidade do medicamento pesquisado. “Isso ilustra o problema da criação de medicamentos. O empresário quer inovação, mas ela é cara e de resultado incerto”, comenta ele, que já trabalhou no Teuto.

O ICF nasceu de uma reunião de 19 empresas farmacêuticas, em 2005. O projeto inicial contemplou a participação da UFG, com a primeira sede instalada no campus da universidade, em Goiânia. Três anos depois, o instituto deixou a universidade, após o conselho da instituição recusar uma proposta de expansão, conta Leonardo de Souza. O ICF então continuou seu desenvolvimento como empresa prestadora de serviços à indústria.

O capital inicial veio da compra, pelas empresas, dos primeiros oito testes de bioequivalência do ICF. Hoje, a remuneração do instituto vem dos royalties sobre cada serviço prestado à indústria. Na composição societária do ICF estão Leonardo de Souza e outros empresários do setor farmacêutico.


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