Pfizer desiste de atuar no segmento de genéricos e a família Melo reassume 100% do controle acionário do Teuto

A família Melo, que há oito meses assumiu o controle total do laboratório Teuto, ao comprar os 40% que estavam sob controle da Pfizer (leia mais sobre isto aqui), está reestruturando as dívidas da empresa com intenção de atrair um sócio para financiar os planos de expansão da companhia, conforme informações divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo. O Teuto estaria alongando entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões em dívidas, de um total de cerca de R$ 700 milhões em débitos com os bancos Bradesco, Itaú e Santander.

Procurado pelo EMPREENDER EM GOIÁS, o Laboratório Teuto informou que “não comenta rumores de mercado”. Mas na reportagem do Estado, o presidente executivo da companhia, Marcelo Leite, confirmou que a empresa está em processo de reestruturação de parte de suas dívidas com os bancos Bradesco, Itaú e Santander. Disse ainda que essas instituições vão estudar novos rumos para o negócio, mas não quis dar mais detalhes. Procurados, Bradesco, Itaú e Santander não comentaram o assunto.

Fundos de investimentos já estariam avaliando o laboratório, entre eles o fundo soberano de Cingapura, o GIC, e o brasileiro Principia, embora as negociações ainda não tenham entrado no estágio formal. Os fundos Principia e GIC também não se manifestaram. O objetivo, após a reestruturação de débitos, é garantir que a empresa como um todo seja avaliada em R$ 1,5 bilhão. Hoje, o faturamento anual do Teuto é de cerca de R$ 770 milhões.

Histórico
Fundado em 1947 por um empresário alemão, o Teuto está sob o comando da família Melo desde 1986, quando foi comprado por apenas US$ 2 milhões. Posteriormente, nos anos 2000, o empresário Walterci de Melo decidiu construir a maior fábrica de genéricos da América Latina. O investimento deixou a empresa em dificuldades, e o negócio passou por uma reestruturação antes de atrair a atenção da Pfizer.

A gigante americana anunciou, em outubro de 2010, o pagamento de R$ 400 milhões por uma fatia 40% da companhia, com opção de comprar os 60% restantes. No entanto, a múlti americana decidiu sair do negócio e colocou sua fatia à venda. Entre 2016 e o início de 2017, quando a Pfizer buscava um comprador, a participação da gigante farmacêutica na Teuto chegou a atrair o interesse do fundo Advent e da Hypermarcas (agora Hypera Pharma), dona do laboratório Neo Química, mas as negociações não avançaram na época.


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