“Há 15 anos, a Região Centro-Oeste é a que mais cresce no País, que basicamente é onde o agronegócio tem um peso maior na economia, gerando riquezas e empregos. Também neste período,  as cidades do interior do Brasil, na média, cresceram mais que as capitais dos Estados”. A afirmação do economista e um dos integrantes  do programa Manhattan Connection, da Globo News, Ricardo Amorim, soou como uma música aos ouvidos de mais de 100 produtores rurais e convidados que participaram do evento “Do Campo à Cidade: Cenário Macroeconômico para 2018 – O Agro em Debate”, promovido nesta quarta-feira pela Faeg, Senar e Sebrae Goiás.

Para fortalecer ainda o seu argumento, Ricardo Amorim lembrou que há 15 anos o agronegócio é o motor da economia brasileira. Segundo ele, o Brasil só não quebrou nos últimos anos porque aquele déficit que tínhamos na balança de produtos manufaturados e industrializados era em grande parte compensado pelo superávit gigantesco do setor.

Economia

Ao analisar o cenário nacional, Amorim enfatizou que a  crise política e moral persiste, mas na economia os resultados são positivos indicando  uma retomada consistente, caso não surja um acidente de percurso. A recessão ficou para trás. A inflação perdeu força e fechou o ano passado em 2,95%, abaixo do piso da meta, fixado em 3%, a mais baixa nos últimos 20 anos. As contas externas registraram superávit recorde no ano passado.

O desemprego recuou e o crescimento deverá ser o dobro dos 2% previstos pelo mercado este ano. E os juros caíram ao menor patamar da história, para 6,75% ao ano, conforme decisão anunciada nesta quarta-feira eplo Comitê de Política Monetária (Copom).  O dólar baixou e a Bolsa de Valores, que antes parecia não encontrar o fundo do poço, agora registra ótimos resultados, mesmo com as quedas pontuais, expressando a melhora das expectativas com o desempenho das empresas.

Mas lembrou que temos um problema: as contas públicas, que já começaram a apresentar melhoras em decorrência dos cortes nos gastos, da queda da taxa Selic e da alta na arrecadação de impostos. “Contudo, somente isto não é suficiente para colocar as contas públicas em ordem. É preciso reduzir o maior buraco das contas públicas, que é a Previdência avançar nas reformas principalmente com relação à Previdência. Para ele, a a reforma proposta está longe de ser a ideal. “O ideal é uma mesma regra para todos os brasileiros  tanto de contribuição quanto de benefícios, que acabaria com as injustiças. Apesar de tudo, dos obstáculos políticos, o que há é melhor do que nada. Se vai passar, não sei”, afirmou.

Segundo ele, os investidores estrangeiros estão de olho em toda esta movimentação. No ano passado, entraram R$ 65 bilhões em investimentos produtivos no Brasil, apesar do crescimento econômico ainda baixo menor do caos político generalizado. “Se conseguirmos resolver estes dois problemas este ano e, do lado econômico tudo caminha para melhorar ainda mais este ano, vão chover investimentos estrangeiros no País”, frisou.

Cenários

Para Ricardo Amorim, se a reforma da Previdência for aprovada e não acontecer crise externa, o crescimento econômico do país será bem maior que as expectativas atuais. Ou seja, mais do que o dobro dos 2% previstos pelos analistas ouvidos pelo Banco Central.  Se a reforma da Previdência não for aprovada e não tiver crise externa, ainda assim, avalia, a economia brasileira vai crescer mais de 2%.

“Agora, se ocorrer crise externa, o Brasil vai sentir o baque. Entenda-se como crise externa não somente os efeitos de uma possível altas dos juros nos Estados Unidos, mas também questões geopolíticas, como a Coreia do Norte, a bolha imobiliária da China que pode estourar. Tem várias possibilidades que precisamos acompanhar”, afirmou.

Para Ricardo Amorim, as eleições deste ano podem atrapalhar o crescimento da economia se tiverem uma possível guinada radical na política econômica. Caso não ocorra esta guinada, não terão impacto. “Acho remota esta possibilidade. Por que? Quem poderia fazer isso seriam os candidatos de esquerda ou da extrema direita, no caso Jair Bolsonaro. No caso de esquerda, o candidato mais forte é o Lula, mas ele não vai estar na urna. A legislação brasileira é muito clara. O PT vai mantê-lo como candidato, mas quando chegar agosto e setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai cassar a candidatura dele. O que vai acabar matando as chances de Marina Silva e Ciro Gomes”, analisa.

Por outro lado, na opinião do economista, isto ajuda Jair Bolsonaro, que se alimenta desta situação. “Mas ele tem partido pequeno, pouco tempo de televisão e sem acesso a financiamento de campanha. Não sei se ele se sustenta. E o Bolsonaro tem dito que não fará nada diferente do que está aí em termos de política econômica. Os outros candidatos também não farão nada diferente”, afirmou.

Setor espera bons resultados este ano em Goiás

O setor agropecuário está otimista com relação aos resultados que devem ser alcançados neste ano. No setor agrícola, a expectativa é de safra de 112 milhões de toneladas de soja e 90 toneladas de milho. Já a pecuária de corte trabalha com crescimento de 12%, com saldo de R$ 77 bilhões e PIB do setor de R$ 1,7 trilhão. Os números foram apresentados nesta quarta-feira ao Empreender Goiás, durante o evento Do Campo à Cidade: Cenário Macroeconômico em Debate – O Agro em Debate, promovido Faeg em parceria com o Senar e Sebrae Goiás.

José Mário Schreiner: Apesar das dificuldades, agronegócio goiano vai crescer este ano

O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, lembrou que agronegócio goiano é responsável por 70% do PIB do Estado, superávits da balança comercial, geração de emprego e renda. “A expectativa é de termos uma safra boa em 2018. O agronegócio vai crescer este ano, apesar das dificuldades de infraestrutura, como o fornecimento de energia que piorou em 2017 em relação a 2016. Mesmo assim, o setor tem registrado crescimento”, afirmou.

Ênio Fernandes: “Ano bastante promissor para a soja e o milho”

Uma análise sobre o mercado da soja e do milho para 2018 foi apresentada por Ênio Fernandes, Consultoria Terra Negócios. O ano, segundo ele, é bastante promissor com safras e preços satisfatórios. No entanto, o produtor precisará estar atento as oscilações e cotações do mercado, para que a sua margem de lucro seja bem-sucedida.

“É preciso acertar a gestão do negócio. Não adianta apenas produzir bem, disponibilizar produtos de boa qualidade. É preciso algoritimizar a gestão do negócio, para alcançar as melhores margens de lucros”, afirmou Ênio Fernandes. Ele explicou que o produtor terá de focar a administração do seu negócio nas oscilações do mercado, para ter sucesso na venda. “Os mercados mundiais estão interligados e cada vez mais sofisticados, com administradores atentos a todos os negócios. O lucro, cada vez mais, é o centro das atenções, por isso a profissionalização é fundamental”. Disse.

Boi

Rodrigo Albuquerque: “2018 será de recuperação do mercado da pecuária bovina”

Já o mercado de boi de corte vive a expectativa de uma melhoria em todos os segmentos – cria, recria, engorda, atacado e exportações. Na opinião de Rodrigo Albuquerque, da Consultoria NF2R, 2018 será de recuperação do mercado da pecuária bovina. Ele explica que em 2017 a pecuária foi atingida pelos problemas surgidos a partir da delação da JBS e da Operação Carne Fraca. “O ânimo dos produtores é positivo. O preço do boi teve recuperação, com alta nominal variando de 4% a 10%. O preço do bezerro já apresenta alta de 14% e do boi gordo, 9%, em relação ao registrado no ano passado”, frisou.

Rodrigo Albuquerque estima que haverá crescimento do volume de abates de 6% de machos e de 8% a 10% de fêmeas, acompanhado de crescimento de 12% no volume de produção. Para ele, no entanto, é preciso haver contrapartida de escoamento dos produtos no mercado de exportação, em pelo menos 10%, e uma reação mais consolidada do mercado interno. “O setor de pecuária bovina de corte começou o ano animado, mesmo tendo de enfrentar a carência histórica de infraestrutura de transportes”, disse.


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2 comments

  1. Robson Ferreira Batista Responder

    Pelo que li estamos no caminho agora temos que fazer o dever de casa vender na hora certa e fazer os investimentos corretos e o mais importante escolher nossos governantes com coerência deixando de lado nossas bandeiras partidárias

  2. Clayton Pires Responder

    Os desafios ainda são muitos! Estamos esquecendo de um ponto fundamental: a disseminação da educação por esse Brasil afora! Sem isso, tenho certeza, será mais um voo da galinha chamada Brasil.