Fazer aquele lanchinho de manhã ou à tarde, um hábito alimentar do brasileiro que recuou na crise dos últimos anos, tem voltado aos poucos ao cotidiano dos goianos. E essa é uma notícia que tem alegrado empresas como a Empadão Goiano, que fabrica uma das mais famosas guloseimas-símbolo da gastronomia goiana.

A empresa, que nasceu há 37 anos em Goiânia das mãos de uma quitandeira vilaboense (dona Maria do Rosário de Castro Coutinho), projeta retomar o patamar de produção de 700 mil salgados por mês distribuídos por 40 itens, entre empadões de diversos tamanhos e sabores, salgados fritos e assados, mini pizzas, tortas, quitandas, entre outras iguarias. Em parceria com a empresa de molhos e pimentas Mendez, lançou também uma linha de molhos apimentados com a marca Empadão Goiano.

Instalada numa fábrica de 1.100 m² no Jardim América, na capital, a Empadão Goiano tem 120 funcionários diretos e cerca de 360 indiretos, incluindo na equipe profissionais que garantem a segurança e qualidade do que faz, como engenheiro de alimentos e nutricionista.

A equipe trabalha em dois turnos para atender ao mercado goiano (capital e interior), chegando também aos estados do Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais (Triângulo Mineiro). São no total 1500 pontos de venda dos produtos Empadão Goiano, cuja maioria das entregas (cerca de 80%) é feita pela própria empresa.

Receita tradicional 

“Depois da crise, investimos em maquinário e capacitação para melhorar ainda mais nosso atendimento ao cliente”, diz Luiz Coutinho, um dos três filhos de dona Maria do Rosário que hoje respondem pela gestão administrativa e comercial do negócio familiar. Dona Maria segue firme por lá, mas agora voltada à supervisão das receitas que ela sabe de cor.

“Não abro mão da receita tradicional, que tem um sabor diferenciado e você come e não se sente empanturrado”, diz convicta. Ela é filha de família de boas cozinheiras da Cidade de Goiás, antiga capital do Estado. Ainda menina, ela recorda, auxiliava os pais no hotel que a família possuía no centro histórico da cidade, em frente à famosa Casa de Cora Coralina (1889-1985). De mudança para Goiânia nos anos de 1970, Dona Maria começou a vender informalmente suas iguarias em 1982, continuando uma tradição culinária cultivada há cinco gerações pelas famílias Borges, Castro e Coutinho.

Segundo Luiz Coutinho, a crise dos últimos anos, além de impactar em cerca de 30% nas vendas da Empadão Goiano, trouxe mais concorrência ao setor, principalmente pela informalidade. “A pessoa perde o emprego e vai vender salgado”, explica. Mas a empresa não perdeu clientela, o que houve foi redução dos volumes encomendados, complementa Coutinho, que é auxiliado pelos irmãos Eduardo e Leila Coutinho no gerenciamento da empresa.

Reposicionamento

Depois de formalizada, em 1997, a Empadão Goiano começou atendendo grandes redes de supermercados, primeiro segmento que buscou seus salgados em escala. “Minha mãe fazia informalmente, para familiares e amigos, depois começou a entregar em repartições públicas e o empadão dela ficou conhecido. Aí recebemos encomendas do Supermercado Marcos e na sequência vieram outras grandes redes como Moreira, Pró-Brazilian, Carrefour, Bretas e Pão de Açúcar”, conta Coutinho.

Dois anos depois (1999), Luiz Coutinho reposiciona a marca já bem conhecida da clientela e amplia o mix de produtos, além de passar a atender a padarias, lanchonetes, empórios, universidades, hotéis e lojas de conveniência, entre outros. Nesse reposicionamento da marca, que incluiu atualização gráfica, a Empadão Goiano passou a se chamar Salgados Empadão Goiano. Com as vendas crescentes, chegara a hora de pensar em uma nova fábrica, que nasceu oito anos depois, em 2007, onde está hoje.

Uma nova unidade não está fora dos planos, mas os filhos de Dona Maria do Rosário querem primeiro retomar o nível de vendas pré-crise e concluir o incremento do processo produtivo e de capacitação de pessoal, “para garantir novas etapas de crescimento de forma gradual e segura”, concluem.


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1 comment

  1. Neusa Maria Santana Responder

    endereço da loja própria.