Bem sucedidos em suas escolhas pela marca franqueada, os empresários Lissa Kellen de Sousa (LK Consultoria – Recursos Humanos) e Pedro Macedo (Hunts Airsoft), ambos com empresas em Goiânia, compartilharam um pouco da sua experiência no ramo da franchising e dividiram seus percepções, conselhos e considerações acerca do mercado e franquias, para evitar que o investidor incorra em erros que podem, se não levar o negócio ao fechamento de suas portas, pelo menos comprometê-lo financeiramente, o que pode ser irrecuperável para a saúde da empresa.

Veja o que eles têm a dizer a respeito de seus negócios e a aconselhar a quem está interessado em ser um franqueado.

LISSA KELLEN
LK CONSULTORIA

O que deve o franqueado mais levar em consideração na hora de escolher o ramo de atividade em que ele vai atuar?
Ele deve, sobretudo, pesquisar sobre o mercado – em nosso caso, pesquisar sobre recursos humanos –, se sentir realizado pessoalmente e profissionalmente trabalhando todos os dias na área, e ter afinidade pelo negócio e ramo de atividade.

No seu caso específico, que é a área de recursos humanos, como está o mercado em uma área tão concorrida?
Não vejo concorrência em nosso segmento de franquias de RH, pois somos a terceira franquia de RH do Brasil. Uma vez que a concorrência não possui o mesmo modelo de negócio, processos definidos e muito bem elaborados que oferecemos, ela não nos ameaça. Analisando a concorrência em franquias de RH percebo que a LK tem total condições de se destacar, pois tem em nosso modelo de negócio diferenciais que a concorrência não oferta, como por exemplo a receita gerada pelo banco de currículos.

Que diferenciais deve possuir uma marca franqueadora que a distinga das demais que atuam no mesmo ramo de atividade?
Uma das principais reclamações dos franqueados em geral é a falta de suporte da empresa franqueadora. Na LK, temos o suporte estruturado por meio de manuais, equipe treinada, inovações constantes, um leque de serviços, carteira de clientes em todos os segmentos. A empresa franqueadora deve estar atualizada com o mundo tecnológico e em redes sociais, ter vários parceiros, um bom networking, ter viabilidade participando em eventos locais, regionais e nacionais, ser associado (em nosso caso, à Associação Brasileira de Recursos Humanos, buscar conhecimento constante e novidades do mercado em que irá atuar, além de ter um excelente departamento de marketing.

O pioneirismo de uma franqueadora ajudam na hora da decisão do franqueado? Por quê?
Sim, porque todo modelo de negócio deve, conforme a lei de franquias, ter sido testado e aprovado, portanto o pioneirismo no ramo de atuação em expansão por rede de franquias pode ser considerado um diferencial, visto que essa empresa franqueadora não terá concorrência direta frente ao seu modelo de negócio. Porém, a relação franqueadora e franqueado pode ser um desafio, já que não há parâmetros para verificar as dificuldades que esse franqueado irá enfrentar na sua localidade.

Esse desafio, no entanto, pode ser tratado com estudos de geomarketing e acompanhamento desse franqueado. Acredito que no momento da escolha, o franqueado deve se atentar mais à sua identificação com o ramo, bem como ter clareza sobre as atividades que precisará desenvolver. Mesmo que o modelo seja pioneiro, se o franqueado não tiver aptidão para o ramo de atuação, não creio que isso influenciará na sua decisão. Outros fatores como vocação, requisitos de habilidades,
prazo de retorno do investimento e perfil do franqueado possuem maior peso no momento da escolha.

PEDRO MACEDO
HUNTS AIRSOFT

Dados do Sebrae apontam que a taxa de mortalidade de microempresas no Brasil é alta em comparação a outros países do mundo, isto é, fecham antes de completar dois anos. Que erros cometem os empresários?
Falta de planejamento. Com um mercado tão competitivo, não planejar é morte certa. Simplesmente ter uma intuição ou achar que dá certo o negócio não funciona mais. Todos os riscos devem ser avaliados, os custos e, principalmente, o mercado, qual sua receptividade e capacidade de compra daquele produto. Inovação! Esta palavra deveria estar na ponta da língua de qualquer empresário, principalmente com a velocidade da informação onde tudo se copia. Ser diferente é proporcionar experiências únicas aos consumidores e eleva sua empresa em comparação aos concorrentes.

A culpa é da má administração, da falta de informação, do modismo em certos setores ou é dos impostos e da burocracia do governo? Ou tudo junto? 
Tudo junto. Não se deve culpar apenas os impostos e a burocracia, pois todos os seus concorrentes no cenário nacional estão sujeitos ao mesmo tipo de condições. É claro que impostos e burocracia atrapalham, e muito, se não for bem administrado, portanto, faça uma boa gestão empresarial. Em relação aos modismos, eles sempre vão existir. E esteja atento a eles, você pode ganhar uma boa quantia de dinheiro nestas ondas, porém é imprescindível verificar o payback do negócio e quais as
propostas e planejamentos futuros de uma franqueadora, por exemplo.

Quais são os três pecados capitais que um franqueado geralmente comete e que pode pôr tudo a perder?
Falta de comprometimento com o negócio, achar que sabe mais do que a própria rede de franquias à qual ele pagou para adquirir o conhecimento e falta de atenção ao mercado local, deixando de identificar as mudanças e preferências locais.  Da mesma forma, quais são os três principais mandamentos que devem sempre estar na mente do franqueado para que ele não cometa erros que podem ser fatais.

Esta pergunta é quase a solução da anterior. Comprometimento, pois um franqueado comprometido e que não possui um grande capital rende mais e dá mais valor do que o franqueado que julga aquele negócio como mais um. Estudar o mercado antes de fazer a implementação do negócio, este item é de responsabilidade de ambas as partes, franqueadora e franqueado. Uma boa gestão empresarial e do corpo de funcionários pode impactar bastante no rendimento final, motivar, criar plano de carreira e gatilhos são imprescindíveis.

Como deve agir um franqueado em momentos de turbulência na economia, como a que acometeu o Brasil nos últimos anos?
Em primeiro lugar cabe à franqueadora proporcionar as inovações necessárias e os moldes para que o franqueado se prepare. Diante de momentos turbulentos, a primeira fortaleza seria a franqueadora, que deve entender e antecipar-se para o que está por vir para proteger seu franqueado. E, depois, cabe ao franqueado absorver da melhor forma possível o que for passado pela franqueadora.


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