Deve dobrar o número de lançamentos imobiliários neste ano em Goiás, segundo levantamento feito com 11 construtoras e incorporadoras, se comparados com os realizados em 2017. Melhora de indicadores como retomada do emprego, controle da inflação e, sobretudo, a continuidade na política de redução da taxa de juros são os motivos que levam executivos do setor a acreditarem num ano de crescimento. No ano passado, juntas, estas empresas realizaram 16 lançamentos imobiliários em Goiás. Para 2018 a previsão é de realizarem 34 lançamentos.

A URBS comemora o descolamento da economia brasileira da crise política e a sinalização de um crescimento forte para 2018. A área de revenda teve crescimento de 30% no ano passado e, de aluguel, 10%. O diretor Ricardo Teixeira enfatiza a importância da manutenção, por parte do Banco Central, da política de redução de juros. Além disso, aponta o registro de sete meses consecutivos de saldo positivo na geração de empregos no País. “Os impactos já acontecem no mercado imobiliário”, diz.

Teixeira afirma que, historicamente, a economia se comporta de forma cíclica: sempre após um período de depressão, vem um boom de crescimento. “É o que esperamos para 2018. Estamos vivendo no Brasil, e mais precisamente em Goiás, o chamado de bônus demográfico, que é quando o número da população jovem, apta ao trabalho, é maior do que o de idosos o que têm uma influência positiva no mercado”, afirma.

Pirâmide
Para o empresário Mário Valois, da Dinâmica Engenharia, haverá uma reação do setor imobiliário. “A inflação baixou e, junto com ela, os juros, o que reduz as taxas dos financiamentos imobiliários. Isso favorece a compra, aumenta a base da pirâmide”, ressalta. Ele lembra que juros baixos são mais relevantes do que aumento de salário, uma vez que favorece a compra, especialmente nesse segmento econômico.

Depois de ficar três anos sem lançamentos, a Dinâmica Engenharia voltará neste ano ao mercado com novidades. A programação é de dois empreendimentos por ano, até 2020. “Existe uma demanda orgânica. O que está sendo lançado com preço e condições compatível com o mercado está sendo vendido. Os estoques em Goiânia estão baixando”, afirma Valois.

Ilézio Ferreira, da Consciente: mercado voltou a comprar com “mais firmeza”

Presidente da Consciente Construtora e Incorporadora, Ilézio Inácio Ferreira diz que o cenário é positivo. “Nos últimos meses de 2017, o mercado voltou a comprar com mais firmeza, principalmente os imóveis prontos, e com isso o estoque deve diminuir e as construtoras e incorporadoras voltarão a intensificar seus lançamentos. A expectativa dessa retomada de crescimento pode realmente se concretizar com um resultado bem positivo para esses imóveis já lançados ou mesmo prontos”, frisa.

Diretor regional da Brasal Incorporações, Thiago Galvão diz que não pode reclamar do ano passado. O volume de negócios da empresa em Goiânia alcançou os R$ 80 milhões em vendas, mais do que o dobro dos R$ 36 milhões comercializados em 2016. O executivo prevê que o investidor de imóveis retornará para o mercado neste ano. “Aplicações como os fundos de renda fixa, que atraiu muitos investidores nesses três últimos anos, deixarão de ser tão interessante e o imóvel, sob o ponto de vista de investimento, passará a ser um bom investimento. O imóvel passará a competir com outros tipos de aplicações”, aposta.

A CMO Construtora prepara dois lançamentos para 2018 em bairros que oferecem ao goianiense boa estrutura e com potencial de valorização. “Goiânia é uma cidade jovem, ainda em formação urbana, com muitas regiões com bons acessos, estrutura e áreas disponíveis para verticalização”, observa o diretor da empresa, Marcelo Moreira. O volume de lançamentos da empresa será maior do que 2017, quando apenas um foi feito. “As taxas mais atrativas irão reaquecer todo o mercado, que irá retomar lançamentos suspensos durante a turbulência dos últimos três anos, e atender à demanda reprimida”, diz.

“Agora precisamos ser mais assertivos do que nunca. O mercado atual está muito diferente do que foi entre 2007 e 2009. Mas acredito que o pior já passou e em 2018 vamos apostar em lançamentos residenciais em localizações nobres e em regiões intermediárias”, pontua Gustavo Veras, diretor da Loft Incorporadora, empresa com forte posicionamento de mercado em imóveis sustentáveis. O empresário acredita que a tendência mundial por um consumo mais consciente pode ser um grande mote para o mercado imobiliários e que o investimento em sustentabilidade, seja em imóveis econômicos, de médio ou alto padrão tende a aumentar.

Especializada em imóveis de baixo custo, a MRV pretende investir R$ 270 milhões em novos lançamentos em Goiás

Empregos
Atuando num segmento que pouco sentiu os efeitos da crise econômica, a MRV Engenharia, líder na construção e venda de imóveis econômicos, projeta dobrar o volume de obras em Goiás em 2018. Atualmente, a construtora possui seis obras na Região Metropolitana de Goiânia e em Valparaíso. A expectativa é que mais sete empreendimentos sejam lançados neste ano. No total, os novos lançamentos representam mais de 2,6 mil unidades com investimento de quase R$ 270 milhões. De acordo com o diretor de produção da empresa, Raphael Paiva, vão gerar 400 empregos na MRV, que tem 500 colaboradores em Goiás. A empresa anunciou uma meta ousada para o mercado nacional: investir R$ 50 bilhões na construção de imóveis econômicos em todo o País até 2028.

A FR Incorporadora também prevê forte recuperação do mercado imobiliário. Diretor comercial da empresa, Pedro Borela afirma que a incorporadora pretender realizar cinco lançamentos, do econômico ao alto padrão. “Esses projetos são o sinal de que acreditamos que este ano será de um crescimento forte. Em 2017, tivemos apenas um lançamento e não houveram lançamentos em 2016. Os lançamentos virão para mantermos os mesmos níveis de atividade econômica. Demanda sempre tem. Quando o País está crescendo, os clientes e consumidores passam a ter confiança em investir”, ressalta Borela.

Diretor da Sim Engenharia, Paulo Silas Ferreira afirma que, apesar dos desafios que o País atravessou em 2017, a reação da economia superou as expectativas. “Foi muito melhor do que o esperado, porque a previsão de todos, inclusive do governo, era que só iríamos começar a sair da recessão depois do primeiro trimestre de 2018. Nós acreditamos que a pessoa que adiou os seus planos de nova moradia irá retomar seus projetos”, diz. A empresa aposta no segmento do luxo.Para Ferreira não há sinais de saturação nesse mercado. “Moradias de luxo em Goiânia é ancorado, em boa parte, no agronegócio e no setor industrial em expansão”, frisa.


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