Marcello e Leonardo Gomes: cerca de 100 parceiros em 30 anos do grupo Terral

Os irmãos Marcello e Leonardo de Oliveira Gomes comemoram neste mês 30 anos do Grupo Terral com um mote: diversificar os negócios. Criada como Energisa em 1997, depois rebatizada como Láter Engenharia, a empresa começou com pequenos empreendimentos de infraestrutura e chegou a realizar grandes obras públicas, atividade que deixou de vez em 2000. Hoje atua em quatro áreas: construção e gestão de shopping centers, incorporação, energia e engenharia de infraestrutura. Tem 1.500 funcionários, sendo 900 empregados diretos e 600 indiretos.

“Acreditamos em boas parcerias. Tudo que fizemos até hoje foi com parceiros estratégicos, gente que veio para somar em cada obra, cada empreendimento que construímos. São cerca de 100 parceiros nessa trajetória, muitos deles se tornaram nossos amigos. É o jeito com que aprendemos a fazer negócio”, afirma Leonardo Gomes ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Depois de passar os últimos dois anos equacionando dívidas, durante a crise econômica no País, o Grupo Terral prepara investimentos em todas suas áreas de negócios para o próximo ano num montante de R$ 35 milhões. “Na crise, tivemos redução de resultado, mas não prejuízo. Agora, achamos que o futuro é promissor”, diz Marcello Gomes.

Cerca de R$ 15 milhões vão para as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) e os parques de energia eólica que a Terral tem no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Nessa área, há ainda dois projetos engatilhados de CGH na cidade goiana de Portelândia. Outros R$ 10 milhões vão para a área de shoppings, com três novos projetos já em andamento em Goiânia, Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG) e mais R$ 10 milhões para o mercado imobiliário, onde a empresa opera no segmento de apartamentos de alto padrão na Grande Goiânia, Brasília e Alagoas.

Shoppings
Principal negócio do grupo (representando 70% do faturamento, números que os irmãos evitam revelar; outros 20% vêm da incorporação e 10% de energia), a construção de centros de compras pela Terral começou com o Buriti Shopping. Também foi o início da diversificação do grupo. Construído com “apenas” 5 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), considerado de pequeno porte em comparação aos shoppings tradicionais de Goiânia, o Buriti cresceu rapidamente, dobrou de tamanho a cada dois anos. Foram três expansões. Hoje tem 32 mil m² de ABL, sendo um dos maiores na Grande Goiânia.

A experiência no Buriti animou os irmãos Gomes a apostarem forte no segmento. Montaram um plano de expansão em 2005 e hoje têm 12 empreendimentos do gênero em Goiás, Brasília e interior paulista. Outros três já estão programados para Goiânia (com o Mega Polo Moda, grande centro atacadista de moda de 22 mil m² previsto para agosto de 2018), Ribeirão Preto e Uberlândia. Somadas as áreas, a Terral Shopping Centers já construiu cerca de 280 mil m² de ABL, figurando entre os 15 maiores grupos construtores de shoppings do País.

Buriti Shopping foi o primeiro de 12 empreendimentos da empresa goiana neste segmento

Próxima parada da Terral em diversificação: incorporação. Sempre com parceiros, os irmãos Gomes entraram de cabeça na construção de prédios residenciais a partir do ano de 2000, a maioria de alto padrão. Somam cerca de 30 empreendimentos nessa área, com mais de três mil unidades vendidas. “Construímos prédios em parceria com praticamente todos os players desse mercado em Goiás. Gostamos de fazer assim, duas cabeças pensam melhor do que uma, além de diluir riscos”, conta Leonardo Gomes, engenheiro elétrico. O irmão Marcello optou pela engenharia civil.

Energia no grupo
Com os negócios de vento em popa, surgiram novas oportunidades. Foi assim que entraram no ramo de produção de energia elétrica. “Nunca deixamos de fazer obras de infraestrutura, deixamos apenas as obras públicas. Assim, sempre atendemos a empresas de energia, seja em terraplenagens ou construção de barragens. Foi aí que o negócio nos interessou”, conta Leonardo, sobre os investimentos da Terral em CGH e parques eólicos.

Os planos da empresa na área de energia eólica contemplam a geração de 400 megawatts em 13 parques no Nordeste. São 15 mil hectares de área arrendada para produzir energia, negócio umbilicalmente ligado aos leilões públicos do produto. “Só produzimos após esses leilões, você vende sua capacidade produtiva e depois inicia a produção”, explica Leonardo.

Em energia hidráulica, a Terral já implantou cinco Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) em Minas Gerais e tem novos projetos para outras centrais na própria Minas e Goiás, além de avaliar possibilidades nessa área também no Rio de Janeiro e Espírito Santo. As pequenas usinas são construídas e operadas pela própria empresa.

A Terral toca ainda as obras de infraestrutura em parceria com a Garcia Monteiro, empresa de pavimentação de Batatais (SP). Dessa união, surgiu a Convias, que realiza serviços de terraplenagem e pavimentação para grandes clientes privados (indústrias, concessionárias de rodovias, supermercados e grandes condomínios). “O grupo Alphaville de Goiânia foi um grande cliente nosso, fizemos toda a parte de infraestrutura viária dos condomínios horizontais deles na capital”, conta Marcello.

Ao chegar aos 30 anos, os CEOs do Grupo Terral se preocupam agora é com a sucessão na administração das empresas. Nos últimos anos, contrataram assessorias da área de governança corporativa para montar o plano de gestão profissionalizada e preparo da sucessão familiar no grupo. “Queremos colocar a família a par de um processo que pretende perenizar esse legado da empresa, essa cultura que construímos até agora. Porque o mais importante a entender não é o que fizemos e sim como fizemos”, arremata Leonardo Gomes.


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