Cerca de 60 empresas retiram e dão destinação correta para o lixo na Grande Goiânia, diz Fleury

Todo mês 40 mil toneladas de resíduos orgânicos são coletadas na capital de Goiás, em média, o que representa volume de 485 mil toneladas por ano, segundo dados da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Em setembro deste ano a coleta desses itens chegou a quase 34 mil toneladas e outras 56,2 mil toneladas de resíduos de construção civil também foram recolhidas. Diariamente ainda são descartados diversos outros materiais, como papel e papelão, plástico, metais, entre outros recicláveis que, se corretamente destinados, podem refletir em geração de renda e não, de lixo.

Enquanto a grande maioria vê neste volume apenas lixo e problema ambiental, alguns empreendedores enxergam um ótimo negócio. Este mercado atrai empresas privadas dedicadas ao trabalho de reciclagem e gerenciamento de resíduos sólidos. Em Goiânia, cerca de 60 delas estão reunidas em uma associação que as representa, a Asciclo, que no segundo semestre deste ano passou a ter abrangência nacional de atuação e a ser denominada Associação Brasileira das Empresas de Reciclagem e Gerenciamento de Resíduos. A entidade começa a ganhar associados em Brasília, São Paulo, Nordeste e Minas Gerais.

“Enxergamos a oportunidade de não só fazer nosso papel socioambiental, mas também empreender financeiramente no setor”, afirma ao EMPREENDER EM GOIÁS o presidente da Asciclo, Gáudio Fleury, que é advogado e desde 2011 atua no segmento com a criação da sua empresa, a Nature Ambiental. Em conjunto, mensalmente, só as empresas que compõem a Asciclo, conseguem retirar e dar destinação correta a quase 40 mil toneladas por mês: são 12 mil toneladas de papel e papelão, 3 mil toneladas de plástico, 14 mil toneladas de ferro e 9 mil toneladas de metais, além de evitar que 2 mil toneladas de demais itens recicláveis tenham como o destino o aterro.

Reciclagem
A Asciclo foi fundada em novembro de 2004, inicialmente reunindo empresários com atuação no setor de materiais ferrosos, com foco na reciclagem. Anos mais tarde empresas de gerenciamento de resíduos sólidos do Estado de Goiás também passaram a integrar a associação. Os empreendimentos associados a entidade disponibilizam os serviços de manejo, coleta, transporte e destinação dos resíduos. “Grande parte ainda vai para fora [para ser industrializada], mas Goiás tem boas indústrias”. O grande problema hoje, diz Fleury, é que falta incentivo.

Os empreendedores do setor fazem um trabalho que é também de utilidade pública, já que “o poder público no geral no Brasil se mostra ineficaz nesse sentido”, frisa Fleury. “O Brasil em termos de geração de resíduos se equipara a países de primeiro mundo, como Japão, Estados Unidos. E quando se fala em destinação de resíduos, aos de terceiro mundo”, afirma. O brasileiro, em média, gera quase um quilo de resíduo por dia. “E o Brasil recicla somente 3%”, frisa o presidente da Asciclo. “Enquanto muitos veem como problema, empreendedores enxergam como oportunidade, geração de emprego, renda e riqueza”, diz.

O resíduo é um problema para quem o gera e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, veio regulamentar e nortear as ações nesse setor. A política lista entre seus objetivos a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos e o estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços.

Fleury informa que a área de resíduos ainda é nova no sentido de se organizar. “Também existe muito preconceito. Mas estamos profissionalizando as empresas, buscando conscientizar esses pequenos empresários da importância da formalização”, diz. Segundo ele, empreender nessa área “é um caminho sem volta”. “Para essa parte de resíduos dar certo financeiramente basta que as leis que aí estão sejam cumpridas e fiscalizadas, evitando descarte irregular”. O presidente da Asciclo, cita, porém, que há entraves na área, como custos elevados e a logística.


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