Reginaldo Mercez conta que a microcervejaria vai investir US$ 1 milhão em New Jersey

Pioneira do chope delivery em Goiânia, a Cervejaria Klaro está prestes a aportar no mercado norte-americano com 15 tipos de cerveja especial. A microcervejaria, que já tem licença aprovada para se instalar no estado de New Jersey, vai consumir investimento de U$ 1 milhão (cerca de R$ 3,3 milhões) para uma produção inicial de 50 mil litros mensais. “Nosso projeto é ter um pub produzindo e vendendo cerveja frutada, um jeito diferente de fazer cerveja que temos certeza que vai agradar à clientela por lá, tanto os imigrantes quanto o público local”, diz Reginaldo Mercez, proprietário da Klaro, em entrevista ao EMPREENDER EM GOIAS em sua fábrica, às margens da GO-070, saída de Goiânia. Vencida a parte burocrática do empreendimento, Mercez e os sócios buscam agora a área para a instalação da fábrica e início das operações em 2018.

A Klaro levará aos Estados Unidos um cardápio cervejeiro que já faz por aqui. Além do chope delivery, carro-chefe da cervejaria, a empresa produz um menu de cervejas especiais com a marca Astúria. São cinco estilos, que vão chegar a sete a partir de fevereiro próximo, com a criação da puro malte (600 ml e long neck) e uma “frutipa”, uma cerveja que mantém a pegada puro malte temperada com frutas tropicais.

A empresa tem capacidade instalada de 350 mil litros por mês, número que fica próximo de ser atingindo nesta época do ano, nas festividades natalinas, conta Mercez. Além da matriz em Goiânia, a empresa possui outra unidade em Ribeirão Preto (com capacidade para 150 mil litros/mês) e um franqueado em Catalão. Os principais mercados das cervejas Klaro estão em Goiás, Brasília, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e litoral de Santa Catarina. A empresa possui uma rede de 60 distribuidores nestes Estados.

Ciganos
Reginaldo Mercez conta que a Cervejaria Klaro, além de crescer no seu principal negócio com chope delivery (entregue ao consumidor em barris de 30 e 50 litros), tem aproveitado o boom do mercado de cervejas especiais no País. Embora ainda pequeno em relação ao mercado total de cervejas (menos de 1%), as especiais crescem a uma taxa anual dois dígitos há 10 anos no Brasil. A Klaro cresceu 25% ao ano de sua inauguração (2003) a 2007. Segundo o Instituto da Cerveja Brasil (ICB), o mercado nacional conta hoje com cerca de 500 microcervejarias que produzem em média 20 mil litros/mês cada.

Outro dado que tem impulsionado o ainda incipiente mercado cervejeiro artesanal são os chamados ciganos, gente que possui uma receita própria e aluga espaço numa microcervejaria para produzi-la. É o que tem feito a Klaro, locando suas panelas e tanques para produção de cervejas de terceiros. Segundo Reginaldo Mercez, a empresa produz hoje cervejas para 30 diferentes marcas. São cervejeiros de Goiânia, Brasília e São Paulo produzindo diferentes estilos e sabores.

“Começamos há dois anos alugando espaço para três marcas e hoje 20% do meu faturamento vem desses ciganos”, conta ele, sem revelar os números. Somados, os ciganos representam cerca de 6% da produção anual da fábrica, que consome 250 toneladas de malte por ano, trazidas do Paraná. O lúpulo, outro importante insumo (que o Brasil ainda não produz), vem da Europa e Estados Unidos. Além de produzir bem, Mercez e os sócios se preocupam com a qualidade do que vai dentro de suas garrafas e barris. A Klaro é a única microcervejaria do Centro-Oeste que possui mestre-cervejeiro em seu quadro fixo e laboratório próprio.

Para sustentar o apetite desses ciganos, boa parte dos R$ 500 mil em investimentos na Klaro é para atendê-los. Foram adquiridos 18 tanques novos e a previsão é de ter mais 12 em 2018, totalizando 52 tanques na fábrica de 2 mil metros quadrados, em terreno de 5 mil metros quadrados. Os novos investimentos vão também dotar a fábrica de envase em lata de 473 ml, formato mais adotado pelos cervejeiros artesanais, além das garrafas de 500 ml.

De família pioneira no negócio de bares e cervejas em Goiânia (um dos irmãos também está no ramo desde o início dos anos 2000 – Joãozinho das Mercez, cuja filha toca a Colombina, uma das mais conhecidas cervejas artesanais da capital), Reginaldo Mercez se mostra empolgado com o futuro, apesar da crise dos últimos anos que roubou cerca de 40% da produção e vendas da Klaro.

De um investimento inicial de R$ 325 mil para iniciar a fábrica, primeiro num galpão de 200 metros quadrados no Setor Cidade Jardim, hoje a Klaro projeta seu primeiro milhão de dólar fora do Brasil. “É, sim, uma conquista e tanto. Ficamos felizes de podermos realizar o que temos feito e a ideia é não parar. Nesse mercado, a crise não vem para derrubar. As pessoas não deixam de fazer festas, apenas reduzem o tamanho delas. E isso é bom para todos”, comemora Mercez.


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