Cerca de 80% dos visitantes do shopping são das classes A e B que atraem lojas de grife

Primeiro shopping center de Goiânia, o Flamboyant completa 36 anos tendo como foco maior os consumidores goianos de alta renda, até para se diferenciar da concorrência. Atualmente, cerca de 80% dos seus consumidores são das classes sociais A e B, embora também seja visitado pelos das classes C e D que vão em busca de produtos das lojas âncoras e das opções de lazer. Nos últimos anos o shopping tem disputado com estabelecimentos do eixo Rio-São Paulo a atração das lojas de grife como Forever 21, Diesel, Swarovski, Thelure, Trousseau, Clinique, Intimissimi, Armani Collezioni e Louis Vuitton, esta aberta em agosto (ainda de forma temporária) e cujas vendas têm surpreendido a direção da marca francesa.

A estratégia tem se mostrado acertada. “As vendas gerais deste ano no estabelecimento devem crescer 8% sobre as de 2016, quase o dobro da previsão inicial de 4%”, afirma João Ricardo Gusmão, superintendente do Flamboyant, ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Um das apostas para isto é o polo gastronômico, cuja sua concepção sequer foi intencional, mas se mostrou de grande potencial. O primeiro aberto foi o Outback Steakhouse, em 2007. Em seguida foram construídos o Madero, Empório Piquiras, Mercatto, Coco Bambu, Kanpai, Kabanas, L’Entrecôte de Paris e Pobre Juan. Hoje são dez restaurantes, um dos maiores polos gastronômicos em shopping´s do País, que tem como foco exatamente o público de maior renda. Enquanto as vendas gerais do estabelecimento cresceram nos últimos a uma taxa média de 7%, as dos restaurantes aumentaram o dobro disto.

O Flamboyant Shopping conta atualmente com 260 lojas e trabalham mais de 5 mil pessoas, sendo quase 600 apenas na área administrativa. Passam pelo estabelecimento, segundo dados do grupo empresarial, cerca de 1,3 milhão de pessoas por mês em média. Nos meses de maior movimento, este fluxo chega a 1,5 milhão.

No meio do nada
O Flamboyant começou a ser construído em 1979 pelo fundador do Grupo Jardins Goiás Empreendimentos, Lourival Louza. Numa visita a São Paulo, o empresário conheceu o recém-inaugurado Shopping Iguatemi. Decidiu construir um empreendimento similar em Goiânia, mas o primeiro estudo de viabilidade econômica não se mostrou favorável e o projeto foi adiado. Dois anos depois, Lourival Louza encomendou outro estudo para a consultoria norte-americana Nordal Associates, que apontou como bom potencial para a construção do shopping na região em que a família tinha terrenos (hoje Jardim Goiás). Há uma explicação: é comum nas cidades dos Estados Unidos, os centros de compras serem construídos em áreas mais afastadas e próximos de entrocamentos rodoviários.

No início da construção do Flamboyant, a a Avenida 136 (hoje Jamel Cecílio) sequer era asfaltada. A pavimentação foi realizada exatamente para ligar o Centro da capital ao estabelecimento comercial, que foi construído no meio do nada, mas foi responsável pelo crescimento da cidade para esta região (onde a maioria dos terrenos era de propriedade da família Louza). Em 16 de outubro de 1981, o Flamboyant (nome escolhido pelo tipo da árvore florida muito comum na região) era inaugurado em Goiânia, tendo como lojas âncoras a Mesbla, Jumbo e Lobras.

Com mais de 137 mil m² de área construída está entre os maiores do Brasil e é considerado, até hoje, um marco no comércio varejista do Estado e referência em lazer para a população goiana. Até então, não havia shopping na capital. Para se ter uma ideia, a tradicional galeria Shopping Center Sul era a referência como centro de compras.

No início, como praticamente todo novo negócio, nada foi fácil. O Flamboyant demorou pelo menos cinco anos para atingir o fluxo de pessoas inicialmente previsto. Primeiro, a cultura na época dos consumidores goianos de comprarem apenas em lojas de rua, especialmente no Centro. Muitos até pensavam que era preciso pagar para entrar no shopping. Os comerciantes das regiões centrais também reagiram, afirmando que o novo estabelecimento era distante e muito caro. Mas as grandes lojas de departamentos eram uma grande novidade em Goiânia e não demoraram muito para atraírem os consumidores. O plano econômico Cruzado também ajudou que as vendas deslanchassem porque, pelo menos por um breve período, gerou estabilidade (com o congelamento de preços) e crescimento para a economia brasileira.

Quinze anos depois de inaugurado, o shopping realizava sua primeira expansão em 1996, com a inclusão de oito salas de cinema da Severiano Ribeiro e a abertura da mais uma loja âncora (Riachuelo). De lá para cá, foram várias outras expansões menores e outras estão em estudos para o futuro. O Grupo Jardim Goiás também investiu nos últimos anos em novos empreendimentos na capital goiana como Alphaville Flamboyant, Comfort Suítes Flamboyant, Office Flamboyant, Loft Gyn, Ilhas de Flamboyant, entre outros.


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