Em meados do ano passado, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o País se viu em uma onda de otimismo. Índices de confiança, tanto dos consumidores quanto empresariais, apontavam para cima, após um ano de queda contínua. O que apontava para cima, contudo, eram as expectativas futuras, ou seja, os agentes acreditavam que o futuro seria melhor com o novo governo. Havia otimismo, nada mais do que isso.

Na medida em que houve acomodação no processo político e os indicadores da economia real continuavam a piorar, esses mesmos índices cederam e o otimismo perdeu força diante de uma realidade cada vez mais difícil: a economia continuava perdendo força, não só a indústria mas também o setor de serviços mostrava os efeitos da crise econômica e o desemprego – face mais dura da recessão – batia recordes e se aprofundava nos domicílios, não só alijando jovens do mercado de trabalho, mas também tirando postos de trabalho de chefes de família.

Sem contar a inflação, que até o ano passado ameaçava a meta e exigiu um forte aperto monetário para garantir sua convergência.

Assim acabou 2016 e começou 2017. A percepção de que a crise era mais complexa e estrutural e que reformas duras eram imprescindíveis forçaram o ajuste das expectativas e definiram um compasso de espera na economia brasileira. Mas a teoria econômica é mais robusta do que aqueles que buscam atalhos conseguem entender. O novo governo partiu para reformas, trocou o discurso populista pelo realismo econômico e passou a agir movido pela necessidade de restabelecer a confiança, com foco nas reformas e no ajuste de rota da economia brasileira.

A transformação começou pelo ajuste fiscal, dando transparência aos números e definindo um caminho de resgate da responsabilidade fiscal. Na sequencia vieram a proposta de emenda constitucional de limitação dos gastos e a negociação com os Estados. Pelo lado do crédito, o reposicionamento do BNDES – com o fim da política dos campeões nacionais. Na economia real, o restabelecimento da saúde financeira da Petrobrás e da Eletrobrás, esta última baseada em um importante programa de privatizações no setor elétrico que marca o abandono dos equívocos do passado. Pelo lado da política monetária, resgata-se a credibilidade ao controlar o lado fiscal e devolver ao Banco Central a atuação autônoma e independente.

Resgata-se o Brasil por todos os lados.

Tudo isso não foi em vão, felizmente. Hoje começamos a acumular resultados positivos, tênues, porém concretos. A inflação cedeu, permitindo que um ciclo de distensão monetária se inicie; o problema fiscal está mapeado, exigindo perseverança, mas saímos da rota de colapso; a economia dá sinais de recuperação e o mercado de trabalho, esse sim o mais importante dos termômetros, nos deu uma boa notícia em abril com um saldo líquido de mais de 60 mil vagas formais criadas.

Sinais que o pior já passou.

Sinal que política econômica, fiscal e monetária quando feita corretamente não é custo, é solução e garantia de confiança, crescimento e prosperidade.


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